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Estado do Tempo, Previsões, Alertas e Notícias sobre a Região Algarvia. E-mail: temponoalgarve@sapo.pt

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13
Dez20

3554: Em vias de extinção vaca algarvia é "salva" por projeto de recuperação

Tempo no Algarve

Vários produtores e entidades do Algarve estão empenhados em recuperar o bovino de raça algarvia, que chegou a ser dada como extinta, e assumem querer passar dos atuais 11 para 150 animais até 2022.

 

 

Na década de 1950 chegaram a ser mais de 20.000 exemplares, mas a mecanização da agricultura, a introdução de raças exóticas e o progressivo abandono dos campos diminuiu o seu efetivo e a vaca algarvia chegou mesmo a ser dada como extinta.

 

É na Boca do Rio, em Budens, no concelho de Vila do Bispo, que a agência Lusa encontra oito dos 11 exemplares que estão oficialmente classificados como sendo bovinos de raça algarvia.

 

Entre as cinco fêmeas há já crias, e mais uma prestes a nascer, nas quais é colocada a esperança de se conseguir restaurar uma linha pura. Além destes, há ainda um casal na Quinta Pedagógica de Silves e um touro na propriedade de criador em Tavira.

 

Em 2005, num esforço conjunto da Associação de Criadores de Gado do Algarve (ASCAL), da Direção Regional de Agricultura e Pescas (DRAP) do Algarve e da Direção-Geral de Veterinária, foi realizado um estudo que permitiu a recuperação de 19 animais.

 

Tratava-se de 16 fêmeas e três machos que ainda reuniam as características para fazerem parte de um núcleo inicial para a recuperação da raça, revela Carla Santos, da ASCAL.

 

A responsável técnica da vaca algarvia adianta que existe atualmente "sémen de quatro machos reprodutores" no Banco Português de Germoplasma Animal, no Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), em Santarém, que vão servir de base à recuperação da raça.

 

Com um tão reduzido número de animais, é "difícil fugir da consanguinidade", alerta, daí a importância dos embriões e do sémen que se encontra preservado no INIAV, uma vez que vão permitir fazer a gestão da variabilidade genética.

 

O processo passa agora por uma fase muito técnica, com uma nova recolha de embriões, em 2021, de vacas desta raça, que serão depois colocados em vacas recetoras.

 

Vão ser também adquiridos "mais 150 animais" para inseminação artificial e realizados "cruzamentos de absorção", processo que permite diminuir a consanguinidade e aumentar a pureza da raça, explica.

 

Com origem no mesmo tronco da vaca alentejana, garvonesa e mertolenga, a algarvia distingue-se por uma barbela - pele pendente da parte inferior do pescoço -, mais pequena que a da alentejana, uma cabeça de forma piramidal, pelagem e membros mais curtos, úmero malhado de branco, entre outras características.

 

Segundo Carla Santos, "são animais dóceis e precoces" na gestação.

Desde 2011 que a ASCAL é responsável pelo Livro Genealógico da Raça Algarvia, estando atualmente a implementar um programa numa parceria com o INIAV e a Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa para conservação de sémen e transferência de embriões.

 

O objetivo é elaborar o Plano de Ação de Salvaguarda da Raça Bovina Algarvia, de forma a ser assegurada a preservação da raça.

 

António Figueiras é o presidente da ASCAL e proprietário dos nove animais que habitualmente pastam nas suas terras na Boca do Rio, mas a existência de fêmeas prenhes ou com crias obriga, agora, a algum resguardo.

 

Precursor deste movimento de recuperação da raça algarvia, o criador congratula-se com o interesse de outros produtores de Tavira, Vila do Bispo e Lagos em avançar: "Vamos andando devagar, mas fazendo para que as coisas avancem", ressalva.

 

A abertura de candidaturas para o apoio aos produtores de raças autóctones com um valor atribuído por animal é "uma mais-valia", no entanto, há uma peça essencial que continua a faltar, conta.

 

Desde 2007 que o Algarve não tem um matadouro, obrigando os produtores a fazer duas viagens até Beja, no Alentejo, para poderem vender a carne dos seus animais.

 

"São 600 quilómetros, o que é muito complicado. Assim não dá", lamenta António Figueiras.

 

Um projeto da DRAP/Algarve pode alterar este cenário com a aquisição de um matadouro móvel, permitindo que "esta e outras raças algarvias" possam ter a sua carne "certificada", o que traria uma mais valia aos produtores e um maior interesse na sua recuperação e criação.

 

"Há vacas parecidas com a vaca algarvia que também têm a sua carne certificada, vendem bem a carne e têm muita saída. Isso é algo que só o futuro dirá", realça.

 

A DRAP tem tido um papel essencial neste processo e João Cassinello é um dos técnicos que se mantém ativo na defesa e valorização das raças algarvias, que, no caso da vaca terá de passar pela "valorização da sua carne", adianta.

 

"Sendo o Algarve uma região turística, faz sentido valorizar as raças autóctones. A exemplo do que está acontecer noutras zonas do país, será uma oportunidade para o nosso turismo gastronómico", defende.

 

Estes animais eram essencialmente "de trabalho" em explorações familiares, dos quais se fazia também o aproveitamento da carne, leite e matéria orgânica que "deixavam nas explorações".

 

Com a entrada em Portugal de raças mais especializadas na produção de carne e leite e a mecanização da agricultura, as raças "mais rústicas foram sendo substituídas", ficando reduzidas ao atual número de efetivos.

 

Para o especialista, esta será a "última oportunidade para se manter esta raça", havendo um desafio e compromisso com os produtores e os serviços oficiais através do Plano de Ação da Salvaguarda da Raça Bovina Algarvia.

 

Fonte: DN

16
Nov20

3536: Autoridades pedem ajuda para reduzir mosquitos transmissores da dengue detetados no Algarve

Tempo no Algarve

As autoridades de saúde do Algarve estão a pedir a colaboração da população para reduzir os locais de criação de mosquitos invasores que transmitem doenças como a dengue, febre-amarela ou zika, detetados em Loulé e em Faro.

 

Em declarações à Lusa, a delegada de Saúde do Algarve revelou que não há registo de mosquitos infetados com qualquer uma destas doenças no Algarve, pois apesar de o mosquito estar presente na região teria primeiro de picar pessoas doentes para haver transmissão.

 

Segundo Ana Cristina Guerreiro, o 'aedes albopictus' - nome científico desta espécie de mosquito -, gosta de "pequenas quantidades de água limpa", como a que fica nos "pratos dos vasos, nos pneus dos automóveis ou em recipientes naturais".

 

A delegada de Saúde regional sublinhou que o mosquito "não gosta de sapais ou de água salobra", procurando zonas onde se acumule "água da chuva ou da rega", pelo que incita os cidadãos a reforçar a atenção a estes locais, procurando "reduzi-los".

 

A autoridade de saúde realizou já ações de formação dirigidas a funcionários do município, jardineiros, condomínios e moradores, uma vez que podem "contribuir para a redução da multiplicação do mosquito", reforçou.

 

Aquela responsável apontou também a necessidade e da população se proteger da picada dos mosquitos com a colocação de redes nas janelas das habitações ou o uso de repelente.

 

A deteção desta espécie de mosquito aconteceu após a colocação de armadilhas para captura, fruto de queixas de moradores na zona de Gambelas, na freguesia de Montenegro, junto ao Aeroporto de Faro, declarando "umas picadas diferentes".

 

A espécie invasora de mosquito 'aedes albopictus' foi detetada pela primeira em setembro de 2017 numa fábrica de pneus no norte do país, desencadeando uma resposta de vigilância por parte das autoridades de saúde pública a nível local, regional e nacional.

 

Em 2018 foi detetado no Algarve, no concelho de Loulé, e, este ano, no concelho de Faro. Porém, neste momento "há o mosquito, mas nenhum tem a doença" já que para isso "tem de picar pessoas doentes".

 

"Neste momento temos armadilhas em vários pontos do município de Faro, no perímetro da freguesia de Montenegro e da Ria Formosa de forma permanente", adiantou.

 

As autoridades de saúde têm vindo a "alargar o perímetro de investigação", colocando armadilhas no concelho de Loulé, mas também no perímetro do aeroporto "numa das obrigações da monitorização de fronteiras".

 

O objetivo é reduzir a população de mosquitos para "adiar o mais possível" a existência dos mosquitos transmissores de doença em Portugal.

 

Paralelamente, é feita também a monitorização ativa do mosquito transmissor do vírus do Nilo, já que este pode ter "transportado pelas aves migradoras", concluiu.

 

Fonte: Lusa

01
Out20

3504: Projeto "Plantar Água" vai reflorestar a Serra do Caldeirão

Tempo no Algarve
"Plantar Água" é um projeto da ANP|WWF, em parceria com The Coca-Cola Foundation, que visa o restauro ecológico de áreas ardidas na Serra do Caldeirão.


Decorre entre 2019-2022 e intervém em 100 hectares de 6 parcelas afetadas pelo grande incêndio florestal da Catraia (Sítio do Barranco da Corte/ Ribeira da Foupana, freguesia de Cachopo, no concelho de Tavira).


Com a instalação de + 50 000 árvores e arbustos mediterrânicos pretende-se reverter a degradação da paisagem e dos ecossistemas afetados pelo incêndio e recuperar as suas importantes funções e serviços, fundamentais para o equilíbrio ambiental e bem-estar das comunidades.


Um dos importantes benefícios estimados é a recuperação de mais e melhor água para todos os usos e milhares de utilizadores. Estima-se com a floresta madura em 2050 que haja uma recuperação de 200-250 milhões de litros de água/Ano, um ganho de cerca de 20% na quantidade de água que abastecerá os aquíferos subterrâneos.
 

E como é que se recupera e planta Água? Plantando floresta mediterrânica. A floresta desempenha um papel direto na recuperação e absorção da água da chuva no solo. Tendo mais floresta, captamos mais água da atmosfera. Temos também mais solo húmido, e reduzimos a erosão e a escorrência. Com mais solo para infiltrar e depurar podemos esperar mais e melhor água para esta região que sofre de escassez hídrica e que, num contexto de alterações climáticas, poderá ter a sua situação agravada.   
      

A obra de restauro implicará:
  •  Remoção de espécies invasoras
  •  Instalação de 50 mil árvores e arbustos
  •  Recuperação de galerias ripícolas
  •  Monitorização da água, solo e biodiversidade

 

Fonte: ANP/WWF

24
Set20

3502: Perdas de água agravam seca no Algarve

Tempo no Algarve
Só cinco concelhos algarvios cumprem a meta definida para as perdas reais de água nos sistemas de abastecimento público - inferior a 20%. Há mesmo dois municípios cujas perdas são mais do dobro do recomendado, segundo consta do Plano Regional de Eficiência Hídrica do Algarve.


"Os concelhos que apresentam valores mais elevados de perdas reais são Silves e São Brás de Alportel, com valores acima dos 40%", de acordo com o documento. Pelo contrário, os municípios que cumprem a meta são Albufeira, Faro, Loulé, Portimão e Tavira.


Na origem do problema está a existência de "infraestruturas de distribuição de água com elevado tempo de vida e com indícios de degradação, originando ruturas, que se traduzem em perdas reais de água". O plano prevê 94 milhões de euros para a reabilitação da rede de distribuição e de reservatórios.


Quanto à rega agrícola, as perdas no sistema de Silves, Lagoa e Portimão podem atingir 40% e no de Alvor ronda os 25%. No Aproveitamento Hidroagrícola do Sotavento os valores ficam abaixo dos 10%.


No plano é referido que a precipitação registada no Algarve "tem vindo a diminuir ao longo dos últimos anos, nomeadamente desde 2000" .

 

Fonte: CM

08
Set20

3485: Associação em Olhão cria ninhos para reprodução de aves

Tempo no Algarve

A Associação Vita Nativa, sediada em Olhão, assinou um protocolo com o ICNF- Instituto de Conservação da Natureza e Florestas para a criação do projeto ‘Alojamento Local para Aves’, que prevê a instalação de caixas-ninho para pequenas espécies de passeriformes e aves de rapina de pequena e média dimensão.

 

"São cerca de 2 mil caixas-ninho que vamos instalar em todo o Algarve, inclusive em matas nacionais na região que são vigiadas pelo ICNF. A maioria das aves depende de cavidades para se fixarem e reproduzirem e, com as alterações que têm havido nos habitats, isso está a desaparecer", disse ao CM João Tomás, um dos responsáveis pelo projeto.

 

Este é um projeto que tem a duração de dois anos e que já deu os primeiros passos no início de julho, com a assinatura do protocolo. A instalação da primeira caixa-ninho está prevista para o próximo mês. " Primeiro temos de fazer visitas de campo e dar a conhecer o projeto às pessoas. Conquistá-las. Só depois avançaremos para a instalação", adiantou João Tomás.


Está é uma iniciativa "de extrema importância, pois irá manter um equilíbrio nos ecossistemas" pelo facto de as espécies beneficiadas pelo projeto alimentarem-se de moscas, mosquitos e lagartas, o que vem "ajudar no controlo das pragas nas cidades e na agricultura".


Está prevista a colaboração de universidades e laboratórios na iniciativa, o que irá permitir um estudo mais científico sobre as aves e sobre os seus habitats. A associação está encarregue de fazer a monitorização das caixas instaladas e tem já previstas várias ações de sensibilização e educação ambiental com escolas da região do Algarve.
 
 

Fonte: CM

09
Ago20

3473: Espécies invasoras alastram no mar do Algarve

Tempo no Algarve

O Algarve regista um número crescente de exemplares de novas espécies marinhas, com um elevado potencial invasor. “As alterações climáticas, com a subida da temperatura e o aquecimento da água do mar, surgem como explicação para este aumento”, diz o biólogo marinho, Élio Vicente.

 

O caranguejo-azul é uma das espécies invasoras que melhor se adaptam às águas do Algarve desde o aparecimento dos primeiros exemplares, em 2016, na ria Formosa. “Atualmente já compensa a sua apanha para venda no mercado”, explicou Élio Vicente, que considera “positiva a apanha para travar o crescimento desta espécie que é vista como ameaça para o cavalo-marinho”.

 

Reflexo do aumento da temperatura da água do mar é a proliferação da alga Caulerpa, originária do mar Mediterrâneo e que foi detetada na ria Formosa, em 2011, depois de ter estado ausente cerca de 50 anos.

 

Para uma melhor identificação de novas espécies existentes no litoral algarvio, a Universidade do Algarve participa no projeto NEMA (Novas Espécies Marinhas do Algarve) em que é feito o pedido à população para fotografar espécies exóticas. Na lista de sugestões figuram 12 espécies, entre elas o camarão-mantis ou o peixe-balão. Os investigadores levantam a possibilidade de poderem surgir outras espécies.

 

Fonte: CM

09
Jul20

3452: Dunas da Meia Praia, em Lagos, vão ser reabilitadas

Tempo no Algarve

A câmara de Lagos celebrou um contrato de aquisição de serviços para a “Elaboração do Projeto de Reabilitação e Recuperação do Cordão Dunar da Meia Praia”. «Prevenir e gerir os riscos costeiros associados à instabilidade dunar daquele território, prevendo a recuperação e o reforço do cordão dunar, é», segundo a autarquia, «o objetivo deste projeto».

 

A decisão de avançar com esta solução decorre da constatação do estado de degradação do importante cordão dunar de 5 km de extensão, compreendido entre o sapal da Ria de Alvor e a Ribeira de Bensafrim, situação provocada não só pelo efeito das condições meteorológicas e naturais, mas também pela ação humana.

 

A iniciativa acontece no âmbito de um contrato interadministrativo celebrado entre o município e a Agência Portuguesa do Ambiente, no quadro da defesa ativa do litoral. Por via deste contrato a câmara de Lagos teve legitimidade para apresentar e submeter uma candidatura ao Programa Operacional “Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR) – Ações de Proteção do Litoral” já aprovada.

 

À responsabilidade do município fica não apenas a elaboração do projeto, como a posterior execução da empreitada. As várias componentes representam um investimento previsto de 1.439.396€, o qual será cofinanciado pelo Fundo de Coesão em 1.017.941,06€.

 

Fonte: Região Sul

06
Mar20

3387: Cavalos-marinhos proíbem navegação na Ria Formosa

Tempo no Algarve

Foram criadas duas áreas de refúgio para cavalos-marinhos na Ria Formosa. As capitanias de Olhão e Faro, através de editais, determinaram para estas zonas a "suspensão temporária da circulação de todas as embarcações".

 

A medida, que entrou em vigor na passada terça-feira, é aplicada numa área a nascente do núcleo da Culatra, no concelho de Olhão, e na zona de Geada, a norte da Cabeça do Morgado, a meio caminho entre o cais comercial de Faro e a saída da barra Faro-Olhão.

 

Conforme é referido nos editais, "a ria Formosa tem a maior comunidade de cavalos-marinhos do Mundo", mas, com o decorrer dos anos, verificou-se que "a população desta espécie protegida tem vindo a diminuir, encontrando-se em vias de extinção, devido, fundamentalmente, à ação humana e à diminuição de plantas marinhas no fundo da ria".



De acordo com o Instituto para a Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), "os estudos atuais revelam um decréscimo de 90% na última década, o que torna as populações de cavalos-marinhos particularmente vulneráveis a fatores de pressão, podendo inclusive levar à sua extinção local".



Na origem desta situação estarão, sobretudo, "fatores como apanha ilegal de cavalos-marinhos para o mercado asiático [são muito usados na medicina tradicional chinesa], pesca acidental e perturbação do habitat", conforme admite o ICNF.



Quem desrespeitar a suspensão de circulação de embarcação que foi determinada para estes dois refúgios de cavalos-marinhos fica sujeito a aplicação de contraordenações entre os 400 e os 2500 euros, segundo apurou o CM.

 

Fonte: CM

01
Mar20

3383: Água do mar transformada em água potável já abastece hotelaria no Algarve

Tempo no Algarve

A dessalinização de água do mar já é usada no abastecimento de água potável por algumas empresas da hotelaria no Algarve, em alguns casos para reduzir o consumo público e poupar recursos, noutros por ser a única solução possível.

 

Situado sobre uma falésia emoldurada pela costa algarvia, o empreendimento Vila Vita Parc, em Porches, Lagoa, iniciou-se na dessalinização de água do mar em 2015 e, embora o projeto tenha sido idealizado para a rega dos espaços verdes da propriedade, depressa se expandiu a outras fontes de consumo de água.

 

"Inicialmente começámos a trabalhar só para o sistema de rega e verificámos que a captação, face à necessidade e ao dimensionamento do nosso sistema, nos permitia chegar aos lagos e neste momento já estamos a fornecer cerca de sete piscinas, só com esta captação de água", explicou à Lusa André Matos, diretor de qualidade do Vila Vita Parc.

 

Com uma dimensão de 23 hectares, mais de metade dos quais espaços verdes, a administração do empreendimento turístico de luxo lançou-se na construção de uma estação de dessalinização subterrânea, que opera sob um campo de ténis, sem que os hóspedes se apercebam da sua existência.

 

"Neste momento, dos 100% que íamos buscar à rede em 2014, vamos buscar apenas cerca de 30% para o funcionamento de tudo o resto: alojamento, águas de banho e de consumo para os restaurantes", quantifica André Matos, mostrando-se satisfeito com os níveis de poupança que alcançados.

 

Convicto de que, no futuro, a água será um bem de consumo com "um elevado valor económico", aquele responsável considerou que, enquanto "poluidores responsáveis", devem garantir que, tal como o futuro das próximas gerações, "o futuro do negócio esteja sustentado por pilares sólidos" e que respeitem o ambiente.

 

Por hora, o sistema de dessalinização instalado no Vila Vita Parc permite captar 24 metros cúbicos de água do mar - o que representa 24.000 litros.

 

Por dia, tem capacidade para captar 440 metros cúbicos (440.000 litros), o que "ao final do ano pode representar cerca de 900 piscinas de 650 metros cúbicos".

 

Com uma dimensão bastante menor, mas uma utilização mais antiga, também o empresário José Vargas instalou, há 12 anos, uma mini estação de dessalinização de água do mar debaixo do seu restaurante erguido sobre estacas na ilha Deserta, em Faro, que como o nome indica, não tem quaisquer casas.

 

Também neste caso, é utilizada a tecnologia da osmose inversa, um processo de purificação da água através de membranas, em que a água salgada é forçada a passar através da membrana, que remove as partículas de sais, transformando a água do mar em água 'pura'.

 

"Tivemos de recorrer a essa solução porque não havia outra. Não havendo água da rede e não havendo também poços de água potável, tivemos que recorrer à dessalinização", contou à Lusa o empresário, que há mais de 30 anos ali explora um restaurante.

 

Por hora, o sistema tem a capacidade de captar 80 litros de água do mar e, embora o sistema não esteja sempre a funcionar, "no limite seriam dois mil litros em 24 horas.

 

Segundo José Vargas -- que recorreu a um 'kit' de dessalinização usado em iates e o adaptou à instalação do restaurante - para 'fabricar' um litro de água potável são necessários cinco litros de água do mar.

 

"Só consumimos esta água [dessalinizada] para consumo gastronómico: gelo, cozinhas, lavagem de loiças. Depois utilizamos outra água que captamos de um poço aqui, que tratamos com cloro, para as águas negras das casas de banho", explicou.

 

A dessalinização de água do mar é, também, uma das propostas contidas num plano que está a ser desenhado para a Culatra, outra das ilhas barreiras da Ria Formosa, 'vizinha' da Deserta, mas que, ao contrário desta, é uma espécie de aldeia: tem uma escola, um centro social, um centro de saúde e até uma igreja.

 

"É um projeto fulcral para a ilha, em termos de recursos de água potável. No entanto, é se calhar a solução mais dispendiosa. É o projeto que irá recolher o maior investimento", disse à Lusa André Pacheco, coordenador do projeto Culatra 2030 -- Comunidade Energética Sustentável.

 

Desde 2009 que a Culatra, no concelho de Faro, começou a ser abastecida pela rede pública, mas "há um enorme dispêndio de energia para bombear água potável" para a ilha, assim como para bombear as águas residuais para as estações de tratamento, notou aquele responsável.

 

Uma das principais preocupações do projeto de dessalinização que está a ser concebido para a ilha é o destino a dar aos resíduos produzidos, um processo que, segundo o oceanógrafo da Universidade do Algarve, ainda requer muita investigação.

 

"Aquilo que é o nosso objetivo no projeto Culatra 2030 é estudar como é que esse resíduo, ou seja, uma solução hipersalina contaminada com sulfitos, pode ser utilizado na economia circular como matéria prima para outro processo industrial", sublinhou.

 

Contudo, para André Pacheco o problema da falta de água não se resolve, por si só, com a dessalinização, mas sim, sobretudo, com "uma forma diferente" de olhar a água.

 

"Nós usamos água potável para imensos usos que não necessitamos: lavamos carros com água potável, lavamos a louça com água potável", exemplificou.

 

Fonte: CM

29
Fev20

3380: Investigadores testam formas de afastar golfinhos das redes de pesca no Algarve

Tempo no Algarve

Um projeto da Universidade do Algarve (UAlg) está a testar formas de afastar os golfinhos de artes de pescas através de alarmes sonoros, diminuindo a sua mortalidade e os prejuízos para os pescadores, disse à Lusa uma investigadora.

 

"Os ensaios estão a decorrer e no caso das redes de emalhar são muito promissores, com 100% de sucesso na redução das capturas acidentais de cetáceos", revelou à Lusa a investigadora Ana Marçalo, uma das coordenadoras do projeto iNOVPESCA.

 

Desde junho passado que os alarmes acústicos estão a ser testados em redes de embarcações de Olhão, Quarteira (Loulé) e ilha da Culatra (Faro), fazendo a monitorização do sistema para perceber "os seus efeitos e eventual habituação dos animais".

 

A habituação dos cetáceos ao sistema pode vir a ser um problema, admitiu Ana Marçalo, já que se trata de animais "bastante inteligentes".

 

Numa primeira fase, foi feito um levantamento da captura acidental de animais marinhos (cetáceos, aves e tartarugas) no Algarve, com os resultados a revelarem a pesca do cerco e as redes de tresmalho e emalhar (fixas na coluna de água) como "as mais problemáticas", principalmente na zona do sotavento (leste).

 

A conservação das espécies é uma das preocupações do projeto, já que a captura acidental contribui para uma "mortalidade considerável", além dos prejuízos causados devido aos danos nas artes de pesca, referiu a investigadora.

 

Nas redes estáticas fundeadas, ou seja, de emalhar, o problema é "a facilidade" com que o golfinho roaz corvineiro "aprendeu a alimentar-se" dos peixes que ficam presos e são habituais na sua alimentação, provocando prejuízos "quer no pescado, quer pela destruição das redes".

 

No cerco, o golfinho comum é a espécie mais afetada e onde irão ser feitos ensaios com alarmes acústicos "na primavera deste ano" para avaliar a redução da sua captura acidental.

 

Mostrando-se otimista face os resultados obtidos nos testes já realizados, Ana Marçalo alertou, no entanto, para o facto de o tamanho da frota tornar "impraticável a colocação dos alarmes em todos os barcos", o que iria "aumentar o ruído" no ambiente marinho e "afastar os animais do seu habitat natural".

 

A investigadora destacou a importância da criação de um manual de boas práticas, juntamente com a comunidade piscatória, para "desenvolver ideias" para a utilização dos alarmes acústicos em artes adequadas, que estejam na água "apenas um determinado tempo e em certas estações do ano, estabelecendo certos limites".

 

A instalação dos alarmes fica a "custo zero para os profissionais da pesca", mas cada um "tem um valor de 2.500 euros" e precisam de ser colocados "a cada 400 metros", em redes que podem chegar a vários quilómetros.

 

Contudo, existem plataformas de financiamento inseridas no programa Mar 2020 às quais "as associações de pescadores deverão estar atentas", para se poderem candidatar quando abrirem os concursos.

 

O iNOVPESCA - Redução de Interações de espécies marinhas protegidas pescarias costeiras Algarvias: Inovação de procedimentos e técnicas de mitigação - é um projeto financiado pelo programa Mar2020 coordenado pelo grupo das Pescas, Biodiversidade e Conservação do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da UAlg.

 

O seu objetivo é avaliar o nível de problemas associados às interações de cetáceos e outras espécies protegidas (tartarugas marinhas e aves) com as pescarias costeiras algarvias, procurando resolvê-los testando novos métodos de mitigação.

 

Fonte: CM

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