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03
Set10

1088: Andam tubarões a rondar na costa algarvia, mas fenómeno é normal

Tempo no Algarve

O número invulgar de avistamentos de tubarões, nomeadamente tubarões-martelo, não é causa para alarme, dizem os especialistas. Ainda assim, o bom senso é aconselhado.


 


Tubarões de diferentes espécies, isolados e em grupo, têm sido avistados nos últimos dias bem perto da costa algarvia.

Um tubarão-martelo chegou mesmo a ser capturado por uma traineira de pesca de Portimão, depois de a sua tripulação ter avistado vários cardumes desta espécie ao largo de Sagres, do Martinhal e da Praia da Luz, a cerca de um quilómetro da praia.

Esta situação, assegurou ao «barlavento» Rui Coelho, especialista em tubarões da Universidade do Algarve, não é motivo para alarme, já que todas as espécies avistadas estão há muito referenciadas na costa algarvia e não são, por norma, perigosas.

«O tubarão-martelo surge há muito aqui nas águas algarvias. Há relatos históricos de avistamentos em Sagres e no Martinhal. Estes peixes podem ocasionalmente aproximar-se da costa, nomeadamente em situações em que a água está mais quente», explicou Rui Coelho.

O Algarve é um dos locais de passagem desta espécie migratória, disse ainda o especialista.

A elevada temperatura da água à superfície pode ser uma explicação para que haja mais avistamentos, mas é consensual entre os especialistas contactados pelo «barlavento» que a ocorrência destas espécies de tubarão nesta zona nada tem de anormal.

O que não é habitual é ver tantos exemplares e tão próximos da costa.

Daniel Machado explora a empresa marítimo-turística de Portimão Ecoceanus, que faz saídas para observação de golfinhos e baleias ao largo da costa algarvia.

Também ele tem avistado mais tubarões do que é normal nos últimos dias.

«Ainda ontem (domingo) avistámos três, dois martelo e um tubarão azul. Nos últimos dias, temos avistado mais do que é habitual. Antes não se via tantos», assegurou.

Segundo o empresário, biólogo marinho de formação, os avistamentos tem tido uma frequência «diária», nas últimas semanas.

No caso dos tripulantes da traineira «Arrifana», de Portimão, o contacto com um exemplar de tubarão-martelo foi também físico.

Na passada semana, os tripulantes desta embarcação capturaram nas suas redes um espécime de «mais de dois metros», segundo revelou ao nosso jornal o membro da tripulação da «Arrifana» André Dias.

«Nós começámos a avistar os tubarões-martelo a partir da zona da Praia da Luz, entre meia e uma milha da costa [um a dois quilómetros]. Avistámo-los durante três ou quatro milhas do percurso que fizemos, ou seja, durante 15 ou 20 minutos vimos tubarões de uma forma ininterrupta à tona de água», contou André Dias, que é também formado em biologia marinha.

«Víamos as pessoas na praia, já que era ao final da tarde e havia uma pessoa a fazer ski aquático no meio dos tubarões, sem se aperceber. Também havia pessoas em motas de água. Os tubarões estavam calminhos e as pessoas nem notavam que eles ali estavam», descreveu.

Uma boa razão para que estes peixes passem despercebidos é o facto de não verem no humano, por princípio, uma ameaça nem um elemento da sua cadeia alimentar.

«Não há qualquer registo de um ataque de tubarão na costa portuguesa. Mesmo ao nível internacional, o tubarão-martelo não é considerado uma das espécies tradicionalmente perigosas», disse Rui Coelho.

Ainda assim, avisou o especialista, «há que agir com bom senso, quando nos cruzamos com tubarões-martelo».

«Não nos podemos esquecer que são animais selvagens, que podem atingir um grande porte», lembrou. Estes animais têm, em média, «uma dimensão de dois a três metros», mas «podem atingir os cinco metros».

Assim, o conselho que Rui Coelho dá é que, caso avistem um tubarão, as pessoas devem afastar-se e sair da água.

Também quem faz caça submarina deverá ter mais atenção, nomeadamente «ao nascer e pôr-do-sol e durante o período noturno, que é quando estes animais estão mais ativos», evitando trazer o peixe que caçarem «junto ao corpo».


 


Fonte: Barlavento Online

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